Flor de Campeira – João de Almeida Neto


18ª Califórnia da Canção Nativa do RS – Uruguaiana – 1988.
Composição vencedora da Linha de Manifestação Campeira; também conquistou os prêmios de Melhor Intérprete (João de Almeida Neto) e Melhor Conjunto Instrumental.

FLOR DE CAMPEIRA

Letra: Antonio Augusto Ferreira e Mauro Ferreira
Música: Luiz Bastos
Intérprete: João de Almeida Neto

Uma milonga pachola
Pra se cantar a vida inteira
Tem que ser flor de campeira
Como um laço à bate-cola.

Tem que falar de cavalos,
De tombos e gauchadas,
Rodeios nas madrugadas,
Contraponteando com galos.

Saudades da sesta boa
No galpão onde eu encilho,
Meu pingo quebrando milho
Pelas tardes de garoa.

Milonga flor de campeira,
Te canto de pêlo a pêlo,
Se cada verso é um sinuelo
Pra outro que vem de atrás.

De faceiro encilho, rindo,
Esse potro colorado,
Pois quando estou bem montado
Até o dia fica mais lindo.

Cavalo que corcoveia,
Conheço ao meter o freio,
Não tiro pra os meus arreios
Se for mesquinho da “oreia”.

Eu posso ser feio assim
Mas quando encilho meu mouro,
Falta janela no povo
Pras moças olharem par mim.

Conheço parada feia,
Mas peguei um malacara,
Se nega estrivo, dispara
E se não nega, corcoveia.

Potro que anda gavionando,
Eu ferro porteira afora,
Me agrada, de vez em quando,
Dar comida pras esporas.

Tenho um lobuno mimoso
E atacado das ideia,
Disparou com a minha sogra,
Nem os corvo acharam a “véia”.

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