Flor de Abóbora – Juliana Spanevello


31º Reponte da Canção – São Lourenço do Sul – RS – 2015.
Composição premiada com o Segundo Lugar e Melhor Poesia.

FLOR DE ABÓBORA

Letra: Edilberto Teixeira
Música: André Teixeira
Intérprete: Juliana Spanevello

Risonha flor de abóbora
Rebentadeira de esgaço,
Quando esparrama o baraço
No meio da terra hortada.
Linda flor cor de quibebe,
Guarda os beijos que recebe
Do orvalho da madrugada.

Prenúncio de jiráu cheio,
De rancho com mesa farta,
Pois, quando a flor se aparta,
Linda fruta ali prospera.
E, escondendo as abobrinhas
Se parecem bandeirinhas
Festejando a primavera!

Flor de abóbora-menina
De caminhadas longevas,
Que se vai pelas restevas
Atrás do rumo perdido…
Solitária flor gateada,
Faz a terra enamorada
Desse abobral florescido.

É a semente germinada
Na aquarela do lançante,
Plantada bem na minguante
Quando “areia” o fio da enxada.

No meio da terra negra,
Quando essa flor se levanta,
Parece que o sol e a planta
Nasceram da mesma seiva.
Flor de abóbora-moranga,
Lá se vai direito a sanga
Ziguezagueando entre as leivas.

Mas quando a carreta encosta
Na lavoura, se descobre
Que o plantador não é pobre
Que inspiração tem de sobra.
Colhendo a abobrinha verde
A sua poesia se perde
Entre as caseiras de “abóbra”

E o plantador e a flor,
Vendo a safra promissora,
No jardim dessa lavoura
Fazem juras de bonança.
E ela curtindo o namoro
Dá o seu cálice de ouro
Pra ele beber esperança.

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