Verso e Reverso de Um Poncho – Jari Terres


7º Aparte da Querência do Bugio – São Francisco de Assis – RS – 1999.

VERSO E REVERSO DE UM PONCHO

Letra: Gujo Teixeira
Música: Jari Terres
Intérprete: Jari Terres

A imensidão do seu medo
Assombra ponchos caseiros,
Que trazem noite por fora,
Por dentro angico em brazeiros,
E moldam-se sobre ancas
Toldado a ombros campeiros.

Dois zainos da mesma casta,
Um baio de cola atada,
Três campeiros soberanos
E a tropa pra o sul da estrada…
O tempo imitando agosto
Só pra esconder a madrugada.

Das abas gotejam céus
Com suas vozes atuais,
Saudosas das ressolanas
Que o tempo deixou pra trás.
Enquanto os ponchos encardam
Suas dores deciduais.

Por onde a tropa repisa
No rastro do corredor,
Léguas se medem do avesso
E a noite imprime sua cor.
Mas o poncho traz, floridas,
Corticeiras no iterior.

Pra quem tem sempre partidas,
Pousos de tropa pra frente,
Deve levar uma estrela
Pras madrugadas ausentes…
Pra quando um furo no poncho
Encharcar a alma da gente.

Depois das léguas ponteadas,
A tropa lambendo o sal,
Descansam zainos e baio,
E o poncho mostra o carnal,
Estendendo as suas asas,
Num pôr de sol, no varal.

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