Quando Alguém Vem na Estrada – Luiz Marenco e Jari Terres


14º Reponte da Canção – São Lourenço do Sul – RS – 1998.

QUANDO ALGUÉM VEM NA ESTRADA

Letra: Gujo Teixeira
Música: Luiz Marenco
Intérpretes: Luiz Marenco e Jari Terres

Um quero-quero, de alerta, vigia a várzea do fundo,
Rondando a paz no seu mundo de invernadas e planuras
Guerreiro por seu instinto, feito tantos campo à fora
Que fazem puas de esporas, estrelas pra noite escura.

Meus cinamomos de galhos, acenam pro mesmo lado
Do vento que faz costado, pra os sonhos que a noite têm
Cuia e cambona recostam as cevaduras de um mate
Na hora que o cusco late, talvez anunciando alguém.

Vai na volta da minguante um sorriso anoitecido
Que a tempo andava esquecido das noites aqui do posto
Luzindo as calmas do rancho, dois olhos brilham ligeiro
Formando à luz de um candeeiro, a ilusão de um rosto.

Sempre nas noites do campo onde as almas andam inquietas
E a inspiração dos poetas vai muito além de um olhar
Surge nas sombras cansadas do fogo que ainda insiste
Uma lembrança que existe, pelos cantos do lugar.

Quem sabe guardar pra si, silêncios de um fim de tarde
Têm quero-queros de alarde, pra anunciação de quem vem
Desenha sombras pra alma, mesmo que a alma não queira
Pois sabe guardar inteiras, as saudades que se têm.

Por isso que volta e meia quando o silêncio se corta
E um sonho bate na porta do meu rancho de morada
Cuido o cusco e os quero-queros nos seus alertas guerreiros
Que sempre chamam primeiro quando alguém vem na estrada.

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