Um Milongão Pra Assobiar Desencilhando – Luiz Marenco


2º Um Canto Para Martin Fierro – Santana do Livramento – RS – 2000.
Composição premiada com o Primeiro Lugar.

UM MILONGÃO PRA ASSOBIAR DESENCILHANDO

Letra: Gujo Teixeira
Música: Luiz Marenco
Intérprete: Luiz Marenco

Silhueta de um fim de tarde, prenunciando a mesma sombra
Do tarumã bem copado contra o lado do galpão…
Que larga fumaça branca, que mais alto se desenha!
De certo, é cambona e lenha na porfia de um fogão.

O gateado apura o passo no acôo da cuscada
Que faz festa pra o retorno dos campeiros na mangueira;
Silêncio, se vai aos poucos, pelas esporas nas pedras
E os tinidos da barbela nos escarceios da oveira.

Aos poucos, ouvem-se coplas num assobio compassado…
Que entram galpão adentro, depois voltam mais sonoras;
Se vão tirando a carona, o xergão e entram mais calmas,
Parece que campo e alma se mesclam bem nesta hora.

Água nos lombos suados e mais águas pras cambonas,
E o galpão se para quieto pra escutar um campeiro…
Depois do dia de lida de invernada e rodeio
Sobra tempo pra um floreio de um assobio milongueiro.

Um mate recém cevado silencia o galpão grande,
Reverenciando quietudes nas sombras que aquerenciei;
E quem refaz o seu dia de bem com a vida no campo…
Um pelego sobre um banco é mais que um trono de rei.

Ficou um resto de pasto agarradito no freio…
Esporas, mangos e laços e um silêncio esperando
Alguém de alma lavada debruçar-se no violão
E tocar um milongão pra assobiar desencilhando.

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