O Sal da Minha Terra – Quarteto Coração de Potro


18º Acampamento da Canção Gaúcha – Campo Bom – RS – 2020.

O SAL DA MINHA TERRA

Letra: Sérgio Carvalho Pereira
Melodia: Kiko Goulart
Intérpretes: Quarteto Coração de Potro

Os campos da minha terra
tem sal de eguada suada,
salpicos claros de lua
nas maretas das aguadas.
Tem um chocho em cada estrela
donde lambe a madrugada.

Cacimba de água salobra
numa tapera olvidada
e o serenal nos arames,
chora ferrugem salgada.
São lágrimas deste pasto,
brancas ossadas caiadas.
E as mouras pedras de campo,
salar de musgos e geadas.

Neste chão, salitre e sangue,
corre da carne salgada.
É a força de um boi salino
sob o varal da chaqueada.
Donde cresce a soronilha,
donde brota o pastiçal,
uma tropila tordilha
é um risco no banhadal!

De tordilha vira moura,
se suor, junco e barral.
Se mistura igual salmora
com águas de manantial.
Os campos da minha terra
tem barro frente as porteiras,
são lágrimas de gemido
do ferro contra madeira.

Fogões de antigas tropeadas,
queima de angico e de aroeira
e vento benzendo os pastos
com o sal da cinza na poeira.

Um dia, daqui me vou,
Não há coisa mais certeira.
Mas, deixo o suor da cara
salgando barro e mangueira.
E a sanga desses dois olhos,
que pouco foi corredeira,
vai pura igual as espumas
e os cantos de lavadeira.
Maresias do meu pranto
deixo na aragem campeira.

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