Lamento de Alambrador – Roberto Borges


18º Acampamento da Canção Gaúcha – Campo Bom – RS – 2020.

LAMENTO DE ALAMBRADOR

Letra: Otávio Lisboa
Melodia: Filipe Calvete Corso
Intérprete: Roberto Borges

‘A tralha, sempre nos tento!’
‘O pingo, sempre amilhado!’
Era assim que me enxergavam
Pelas lidas do alambrado…

Tempo bueno, que lhes digo!
(Não que hoje seja malo…)
Campo lindo e cerca forte,
Pra boi gordo e bom cavalo!

Nas estâncias, cada uma,
Que reparti pelo trilho;
Deixei a terra nas mãos
Em cada morto e atilho…

Se veio o vento de agora,
Levou a poeira que tinha;
Barulho e força de aço
Deitando linha por linha…

‘Que pecado meu patrão!’
‘É melhor fazê uma prece!’
Alma boa de um peão,
Que o dinheiro não conhece…
Tropa… tropa, pela estrada
Se vai embora de novo…
Enquando a porteira é pouca
Pro maquinário do povo!

Mais espaço, mais lonjura
Horizonte pra semente!
Enquanto cai um moerão,
Minguando os sonhos da gente…
Cada dia que ofício
Foge mais do meu sustento,
Outra chave se enferruja…
Outro verso po lamento…

Depois que mão calejada
Virou o rumo da trama,
O tempo lembrou o arame
Que é o cercado que reclama!
Não se vê capão de mato
Pras sobras de um sonhador…
Tropa… tropa vai se embora
e vai junto o alambrador!

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