Bailongo no Mato Grande – Luiz Marenco


3ª Moenda da Canção Nativa – Santo Antônio da Patrulha – RS – 1989.

BAILONGO NO MATO GRANDE

Letra: Jayme Caetano Braun
Música: Lucio Yanel
Intérprete: Luiz Marenco

Um par se vem, outro se vai, outro que fica,
e a gaita louca se desmancha no salseiro!
Salta faísca com fumaça de candeeiro
e reverbera no cabelo da Marica!

A gaita velha, muitas vezes, é culpada
do “diz que diz que” nos bochinchos e segredos!
Mas o gaiteiro faz de conta e não diz nada
porque ele sabe que os culpados são os dedos!

De cada china, cada olhar é uma aripuca,
promessa linda que tonteia quando chama
na “vanerita” que se adoça e que derrama
um céu ‘de estrela’ nas pupilas da Maruca!

Um galo canta, um cusco acoa, um touro berra,
e na penumbra a parceria se abaguala!
O chinaredo farejou cheiro de terra
e há uma neblina galopeando pela sala.

E a gaita xucra se aveluda, se alonjura,
depois se amansa num soluço de ansiedade
e anda nos ares, gaguejando uma saudade,
não há quem saiba de onde vem tanta ternura!

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