Caminhos de Vira Mundo – Jorge Guedes


9º Acampamento da Canção Nativa – Campo Bom – RS – 1992.*

CAMINHOS DE VIRA MUNDO

Letra: Lauro A. Corrêa Simões
Música: Luiz Cardoso
Intérprete: Jorge Guedes

Alço a perna e dou de rédeas
E o cincerro das esporas
Talareia nos estribos
O compasso dos andantes.
Um assovio corta o vento,
A buscar a luz da aurora,
E uma coplita que chora
Seca o pranto, logo adiante…

História, pampa e luzeiros,
Querência dos rumbeadores;
Galpão é o céu e o candeeiro,
E a lua beijando a estrada.
Lampejam brilhos de adagas,
Guitarras e pajadores,
Na trança desses amores
Que acordam as madrugadas.

Jamais está só um homem
Que canta e encanta a terra,
Não há potreiro ou encerra
Para o verso campeador.
Cruzando os rumos da vida,
A alma é potro que berra
Para quem mata silêncios
Com ruflos de tirador.

No mais chasqueiro recuerdo,
Despalanqueio a saudade,
O “Ramenzoni” tapeado
Não se achica para frontas.
Talvez, por irmãos dos ventos,
Eu ande sempre à vontade,
Pois quem canta suas raízes
Nunca solito se encontra.

Ainda, leva meu flete
Um lenço de ponte-suela
– Presente de uma chinoca
Há uns dois ou três domingos –
Quando bombeio pra o céu,
As luzitas das estrelas,
Parecem seus lindos olhos
Seguindo o rastro do pingo.

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