Palas Brancos de Fronteira – Jairo Lambari Fernandes


12ª Reculuta da Canção Crioula – Guaíba – RS – 1995.

PALAS BRANCOS DE FRONTEIRA

Letra: Sergio Carvalho Pereira
Música: Jairo Lambari Fernandes
Intérprete: Jairo Lambari Fernandes

Os fios de seda da aranha do campo
Parecem fracos na rudez dos fundos.
Mal comparando, é como um pala branco
Que o pasto vivo abana pro mundo.

De um alecrim à uma guanxuma forte,
Que nem o inverno lhes derruba o toso,
Se estende a teia de esguelha pro norte,
Pra repechar algum vento tinhoso.

Um dia, a teia subirá dos pastos
Na aspa do boi que vem pastar por perto,
Ou, até quem sabe, agarrada nos cascos
De um colmillhudo que nasceu liberto.

Malha que prende a gota do sereno,
Pingo do céu de gaúcha essência,
E o homem simples, num brilho pequeno,
Vê refletida a alma da Querência.

A aranha cincha como as mãos campeiras,
Puxando os tentos do seu branco véu;
Ritual aúcho da paz nas fronteiras
A los que viven bajo el mismo cielo.

Galpão sem porta, sem parede ou quincho,
São de horizontes teus imensos braços,
Soprando a vida entre homens e bichos
Que já aprendeu a dividir espaços.

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