Um Mate de Encilha – Nilton Ferreira e Horácio Bittencourt


14ª Sapecada da Canção Nativa – Lages – SC – 2006.

UM MATE DE ENCILHA

Letra: Paulo Ricardo Costa e Salvador Lamberty
Música: Nilton Ferreira
Intérpretes: Nilton Ferreira e Horácio Bittencourt

Na tarde cinzenta a manga de chuva branqueando a coxilha,
Um mate de encilha reponta a saudade guardada pra ela…
Um ruído de ausência se chega e judia das minhas retinas,
Lembrança brasinas pedindo passagem no vão da janela;

Na dança das chamas, num toco de angico que aos poucos se finda,
A imagem mais linda, “trejeitos brejeiros”, silhuetas da amada,
Ao peão que mateia a doce magia, sorvendo a emoção…
De trazer pr’a o galpão quem vive distante, em outra morada;

Por onde andarão os olhos da linda que amei com carinho?
(Quem sabe a caminho aqui do meu mate, por este aguaceiro),
De trás da vidraça, a chuva retrata àquela princesa…
Que tem a beleza de flor da campina e jeito trigueiro;

A noite se achega, na mesma cadência desta chuva fria…
Já fazem três dias de agosto cebruno com jeito de enchente,
O vento assovia gemidos estranhos, uivando na quincha…
O zaino relincha, parece um campeiro proseando com a gente;

Um poncho se abre nos ombros caídos da noite em negrume,
Um gosto de ciúme me vem do meu meu mate, há muito encilhado,
A fumaça castiga num resto de fogo, em cinza e carvão…
E a tal solidão me joga na cama e se deita ao meu lado;

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