Daquele Galpão de Infância – Marcelo Oliveira


22ª Gauderiada da Canção Gaúcha – Rosário do Sul – RS – 2003.

DAQUELE GALPÃO DE INFÂNCIA

Letra: Xirú Antunes
Música: Marcelo Oliveira
Recitado: Xirú Antunes
Intérprete: Marcelo Oliveira

Aquele galpão de quincha
Boceja no entardecer…
… Com voz de graveto seco,
Com ronco de mate bueno,
Com cheiro de graxa fina,
Lambuzada nos aperos.

Aquele galpão de quincha
Têm as contas dos rodeios;
Guarda a impressão dos olhares
Vermelhados de brasedo,
Que é o feitiço do fogo
E seu fogo é feiticeiro!

Emoldura a lua branca
Pra o quarador dos potreiros;
Janela de sol nascente
Rumbeando no amanhecer;
Jeito de abraço amigo
A quem muito se quer bem…

Há coisas de velho contando
Nas longas noites de inverno,
Desses campeiros que falam
Como de avô pra um neto
E nos ensinam as volteadas
Do que é errado e o que é certo!

Descaso de picumã
Quando o verão é fornalha…
Troca de pouso, tua gente,
Pra sombra de uma ramada,
Mas ficas de pronto nas rondas
Pr’os golpes da madrugada.

Mas tem uma coisa nele
Que eu não sei explicar…
… Pois ao guardar minha infância,
Resguardou meu lugar;
Pôs sem querer sua saudade
No meu jeito de cantar!

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