Baile nas Cabritas – Bagre Fagundes


19ª Califórnia da Canção Nativa do RS – Uruguaiana – RS – 1992.
Composição que recebeu os prêmios de Música Mais Popular e Letra Mais Campeira.

BAILE NAS CABRITAS

Letra: Vaine Darde
Música: Talo Pereyra
Intérprete: Bagre Fagundes

Logo de noite vou num baile nas Cabritas
Que eu sou chibeiro e tô com pila na guaiaca
Pra ver se aparto uma pinguancha bem bonita
Pois me palpita que hoje eu caio na fuzarca

Sou redomão, porém, depois de uma de canha
Eu me acolhero com a chinoca mais crinuda
Que eu tenho um jeito de cutuco na picanha
Pra retoçar essas percantas carrancudas

Dá-lhe gaiteiro, não te encolhe nesse fole
Porque depois que eu me emborracho, eu quero achego
E se me cincho não tem mais quem me descole
Até que eu peale uma orelhana “pros pelego”

Desde guri que eu sou louco por bochincho
Pouco me importa se no xixo der peleia
Porque a vida não é nada sem cambicho
E quando eu bebo não existe china feia

Por isso logo vou engraxar o meu bigode
No pó de arroz de uma ventana bem tisnada
Pois sou chibeiro e afinal quem pode, pode
E nas Cabritas tá assim de desgarrada

E quando então o chinaredo erguer o pano
Nessa fuzarca que bandeia a madrugada
Eu gasto o taco da bota no mano a mano
E me entrevero no trote de cola atada

Assim que vive por um fio nesse bochincho
Pouco se importa com a tal patrulha mista
Porque afinal eu sou chibeiro e não me micho
E vou cantar hoje de galo nas Cabritas.

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