O Campo – César Oliveira e Rogério Melo


17ª Vigília do Canto Gaúcho – Cachoeira do Sul – RS – 2006.

O CAMPO

Letra: André Oliveira
Música: Rogério Melo
Intépretes: César Oliveira e Rogério Melo

Parou o pampeano,
Esbarrou um picaço,
Estendeu-se o laço
Da ilhapa à presilha.
Do outro lado um gateado
Cinchava uma pata,
O boi berra e se estaca,
Prevendo a sangria.
Na ponta da faca
O destino é traçado
E o sangrador é cortado,
Manchando as flexilhas.

Afrouxaram-se os laços,
O pampeano se ajoelha
Sobre a mancha vermelha
Do chão do potreiro,
A folha chairada
Já risca o couro
No ritual crioulo
De um pago fronteiro.
Se foi mais um boi
Pra “corda” e munício
E o matambre pro vício
Do assado campeiro.

A força do campo
Rebrota invernadas,
Engorda a boiada
E sustenta a nação.
É a mesma contita e vivida,
Ostentando esta vida
Deste sul de rincão
E o campo, de novo,
Viçoso, floresce,
Pois tem alicerce
De várzea e coxilha,
Renasce na morte
E se torna mais forte
Bebendo a sangria.

E assim segue a lida,
Tranqueando na estância,
Firmando a constância
De manter existência,
Levando a pecuária
Em ranchos e galpões,
Em sobrados e mansões
Em longínquas querências,
Pra que o mundo conheça
O valor de uma raça,
Mostrando o que passa
O campo e sua essência.

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