Gateada Madrinha – Luiz Marenco


11ª Vigília do Canto Gaúcho – Cachoeira do Sul – RS – 2000.
Composição premiada pelo Terceiro Lugar e Melhor Tema Campeiro.

GATEADA MADRINHA

Letra: Marcio Nunes Corrêa
Música: Luiz Marenco
Intérprete: Luiz Marenco

Vinha o sol de bico aberto no canto de um galo novo
e a manhã fazendo pouso lá por detrás do capão,
a indiada apertando a cincha, num bate-bate de argolas,
e um choro fino de esporas, como clarim do galpão.

Eguada de cria ao pé, com sereno no topete,
que clareou costeando o brete, talvez pressentindo o chão;
cada tordilha mais linda, umas chucras, outras mansas
e um cusco que é das confianças pra lidar com a criação.

Num grito de – abre a porteira – tropilha se esparramando,
a potrada se trompando contra as éguas na saída…
mais lembrava um olho d`agua, que da terra ia surgindo,
e serpenteava sumindo, por entre a várzea comprida.

No lombo de um zaino louco, sestroso e passarinheiro,
um campeiro abria o peito entre a poeira e o tropel;
até previa o momento que o maula fosse sentando,
renegando de um zurrilho, que, há dias, se foi pro céu.

Um cincerro no pescoço, num costado musical,
de uma gateada Cardal, madrinha por experiência.
O capataz, bem de longe, num bico branco calçado,
parecia um delegado nos setembros da querência.

Talvez tivesse na idéia, mirando campo e estrada,
de soltar esta gateada na frente de outra tropilha,
pra invernar n’algum rincão, os tubunas do poder,
Que fazem o povo sofrer, taperando estas coxilhas.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s