A Delicada – Joca Martins e Ita Cunha


24ª Sapecada da Canção Nativa – Lages – SC – 2016.

A DELICADA

Letra: Sergio Carvalho Pereira
Música: Juliano Gomes
Intérprete: Joca Martins e Ita Cunha

Me chamam “a delicada”,
que eu sou milonga de agora.
Não durmo sobre os arreios
e nem grito campo a fora.
“A delicada” me dizem
porque eu não afio espora.

Me chamam “a delicada”,
porque eu não canto façanha.
Não tomo golpe nos queixos
tampouco gole de canha.
E não uso corda forte
pra amigo que me acompanha.

Mas, delicada é a vertente
no fundo de uma invernada,
é um pé da laranja guaxa
que adoça a volta de estrada,
chuva pintando de bronze
uma tropilha gateada.

Quietude de rancherio
ao sol de fim de semana,
senhora cevando o mate
em caneca de porcelana.
Pra depois secar a erva
para “la otra mañana.”

Delicada é a melodia
que eu ouço na sanga rasa
e é a artéria que pulsa
numa coronilha em brasa.
É a graça da moça pobre
com roupa de andar em casa.

Eu sou a flor destes campos
E a flor dos arrabaldes.
Do porto de Buenos Aires,
dos bolichos das cidades.
Do dialeto de bordona
que firmo minha identidade.

Se rude ou se delicada
a trança não arrebenta.
Quanto mais parelho o tento
mais tironaço ela aguenta.
Igual milonga do sul,
delicada e violenta.

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