São Gritos Que Se Perderam – Délvio Oviedo


1º Pastoreio da Canção Crioula – Novo Hamburgo – RS – 1982.

SÃO GRITOS QUE SE PERDERAM

Letra: Nilo B. Brum
Música: Mario Barros
Intérprete: Délvio Oviedo

Carrego muito setembro
Nos pessuelos da memória,
Relembro tempos de glórias
Em dias de marcação.

Dava gosto ser peão,
Mesclando serviço e festa,
Levando a vida ao reponte
E chapéu quebrado na testa!

Debaixo do arvoredo
Já fervilhava o puchero
E o vento trazia o cheiro
Pelo queimado churrasco.

O entreveiro de cascos
Mistura poeira e fumaça,
Grita o homem, berra o gado,
E corre a guampa de cachaça!

— Traz a marca, leva os bagos,
Me alcança o descornador!
Boleia o laço no braço,
Corta a orelha, Nicanor!

Para molhar a garganta
Me passa a canha, Antenor…
São gritos que se perderam
MNa poeira do corredor.

— Peala, Pedro, o novilho!
Este saiu bem pra ti…
Puxa no rabo, guri,
Já que nasceste campeiro!

— Encosta o ferro, parceiro,
Lombeira se deixa em casa…
Cuidado a faca afiada,
Leve esses bagos pra brasa.

Hoje já não se vê mais
Marcação, porteira afora,
Lida que já foi embora
Para dar cancha ao moderno…

Não se emprega mais que um terno
E no tronco marca o gado,
E quem sai porteira afora
É o peão desempregado!

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