Velório do Juca Torto – Cristiano Quevedo


19ª Vigília do Canto Gaúcho – Cachoeira do Sul – RS – 2008.

VELÓRIO DO JUCA TORTO

Letra: Anomar Danúbio Vieira
Música: Rogério Melo
Intérprete: Cristiano Quevedo

Fui no velório do querido “Juca Torto”
Eu era íntimo do morto, “pero mucho más” da viúva!
Babava água, pesos de raio e trovão.
Entrei de chapéu na mão, poncho encharcado da chuva.

Tomei um trago de canha meio sem jeito…
É que tenho esse defeito de gostar de coisa triste,

E quem resiste a um velório com cachaça,
Com rapadura, bolacha e umas “véia” pra dizer um chiste?

Varei a sala arrastando as nazarenas…
Corris os olhos na morena, chorando embaixo de um véu,
Tinha um gaiteiro, vaqueano das horas brabas,
Que floreava uma “pianada”, pedindo as bençãos pro céu.

Não chora linda,
Não chora minha querida,
Porque a saudade é um mal que o tempo cura,
Não chora linda,
Não chora minha querida
Que nessas voltas da vida
A gente acha o que procura.

Eu tinha um lenço, bordado com as “inicial”
E ofereci “muy” cordial, tapado de sentimento
Não te preocupa que os amigos são pra isso…!
Fica aqui meu compromisso – te amparar neste momento.

vendo a quietude que negaceava o ambiente
Fui pra o lado de um parente, falando o que era preciso
Me dêem licensa, que eu conhecia o finado
Sei que ia querer o coitado, que eu cantasse de improviso.

“Sentido, eu faço este verso
Em respeito ao falecido
Que era muito meu amigo
Desde os tempos de guri,
Se agora me encontro aqui
Pra te dizer por inteiro
Pode ir-te embora parceiro
Que a viúva eu cuido pra ti”.

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