Um Grito Chamando a Ponta – Rogério Villagran


4ª Sapecada da Serra Catarinense – Lages – SC – 2004.

UM GRITO CHAMANDO A PONTA

Letra: Rogério Villagran
Música: Rogério Villagran
Intérprete: Rogério Villagran

Se as pedras tivessem vida, talvez as taipas falassem
De coisas que só Deus sabe mas, por segredo, não conta
Se o vento ao menos cantasse ao invés de assoviar triste
Alguém escutava o eco de um grito chamando a ponta

Talvez se o sinal dos cascos não tivesse se apagado
A gente imaginaria o tamanho da morruda
Talvez um sinal de fogo nos diria quantos eram
Quantas mulas e cargueiros, quantos cavalos de muda

O que se sabe é que as copas dos sombreiros de abas largas
Quinchavam capas e ponchos nos dias de viração
E nestes dias os olhos colgavam em suas retinas
Léguas de liberdade e sobras de solidão

O que se sabe é que as ânsias de quem vinha na culatra
Tinham a mesma valia dos que faziam o fiador
E cada dia de marcha logravam um eito de vida
E as rondas volteavam sonhos do fundo de um corredor

Pena que o tempo estourou e os que viviam das tropas
Ficaram na polvadeira tentando encontrar o rastro
De quando voltavam ao rancho com o peçuelo forrado
E uma metade de chibo entre os pelegos e o basto

Mesmo assim eu sei que o tempo não enlota e nem refuga
Bois e mulas que o destino faturou de cada homem
Pois se me sobra um cincerro vez por outra retinindo
Saberei que minha alma jamais morrerá de fome

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s