A Cruz e a Tapera – Matheus Leal


16ª Sapecada da Canção Nativa – Lages – SC – 2008.

A CRUZ E A TAPERA

Letra: Otávio Severo e Osmar Proença
Música: Matheus Leal
Intérprete: Matheus Leal

A Cruz faz vigília na boca do passo
Ao andante que cruza de marcha batida
Tapera de campo, de sombra estendida…
Guardando segredos nas ruínas e traços.

O rancho solito voltou-se pra terra
Aos pés de outra cercas de mouras calçadas
Porém a tapera “parece habitada”
E sua penúria de sobra de guerra

Ficaram receios ao passo da cruz
Enviando risadas no ermo da grota
Se olvidou sete palmos do chão, a Siá Noca…
E sua alma vagueia num vale sem luz.

Conhecida de todos – a velha das rezas –
Com mãos de bruxeira e crenças divinas
Benzedeira de esporas dos índios das crinas
Que arriscavam a vida nos baguais malevas

Morreu quando a alma fugiu-lhe de casa
No aceso da lua assombrando as paragens
Daquelas que o medo enredou nas ramagens
Quando o vento, um fantasma tem garras e asas…

“Hay” quem jure verdades com seus arguentos
E ganhou o rincão a tapera assombrada
Na invernada do passo da cruz encravada
Os campeiros recorrem de olhos atentos.

… A Cruz faz vigília na boca do passo.

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