Velhos – César Passarinho


8ª Tertúlia Musical Nativista – Santa Maria – RS – 1987.

VELHOS

Letra: Jorge Rodrigues
Música: Luiz Bastos
Intérprete: César Passarinho

Os olhos que traziam brilhos
de manhãs amenas
bailando vidrilhos
nas sangas serenas
hoje são nevoeiros
de um rio sonolento
navegando aos ventos
que a velhice enfrenta.

Como barcos frágeis
nessas águas turvas
onde à cada curva
o perigo espreita
vão estes velhitos
carregando a vida
nas tardes compridas
de ilusões desfeitas

Sentem que o cerne dos seus braços vai dobrando
como se dobram pelo campo os alecrins
e os sóis maduros que alumbravam suas tardes
hoje são brasas sobre as cinzas do seu fim

Falta força pra quem busca
nas manhãs maduras
respirar lonjuras
pelas várzeas rasas
há somente assombros
nestas noites largas
quando a morte amarga
solta seus fantasmas

E as madeixas claras
formam nunvens alvas
nas cabeças calvas
como se fossem véus
são sinais dos tempos
são lençóis ao vento
São bandeiras brancas
acenando aos céus.

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