Quando a Saudade Atropela – Joca Martins


15ª Reculuta da Canção Crioula – Guaíba – RS – 1999.

QUANDO A SAUDADE ATROPELA

Letra: José Carlos Batista de Deus
Música: Jairo Lambari Fernandes e Cristiano Quevedo
Intérprete: Joca Martins
Declamação: Cristiano Quevedo

“Me abraço no cavalete
– Bombeando argolas e tranças –
E uma tropa de lembranças
Com mansas e caborteiras…
Vêm lamber sal nas basteiras,

Julgar meu próprio semblante
Que um malvado fabricante
Forjou com quatro cabeças
Pra que o basto nunca esqueça
Quanto o cavalo é importante!”

Pra nada servem os arreios
Depois que o peão se desgarra
E os lombos viram taperas
Quando aposentam-se as garras.
As cordas cruas, mofando,
Enferrujando os estribos…
E um par de esporas – calado –
Pra cantar não tem motivo.

A geada velha branqueia
Os quatro cantos da estância
E um galo – por ser torena –
Abre um rasgo na distância.
A noite grande se atora
E o dia apeia sem pressa…
No galpão abandonado
Nem um foguito se impeça!

Não há barulhos de cusco
Nem relinchos na mangueira,
Só aranha tramando laços
Pelos vazio das cocheiras.
Quem foi trono de campeiro
– Hoje é traste sem valia –
Atirado n’algum canto
Onde o sol não alumia.

Como faz falta o suor
Que temperava a carona
Ao repartir o varzedo
– Correndo eguada gaviona –
Logo vem a primavera
Traz potro a pedir forquilha,
É a saudade que atropela
Desde a ilhapa até a presilha.

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