Rancho de Luz – Angelo Franco e Angela Gomes


27ª Califórnia da Canção Nativa do RS – Uruguaiana – RS – 1997.

RANCHO DE LUZ

Letra: Túlio Urach e Carlos Omar Villela Gomes
Música: Túlio Urach e Gibão Strazzabosco
Intérpretes: Angelo Franco e Angela Gomes

Sentado à mesa, o mate novo,
A vela acesa, o olho turvo
Ouço mil cascos em disparada,
Lá por de trás da coxilha
E o Negrinho gorjeia seu riso,
Por ter achado a tropilha

Dou-te o lume da vela, a prece prometida
Encontre minha alma que anda perdida
A escuridão da noite ainda me traz
Espíritos que vagam sem ter paz
Aquerenciando o temor de encontrar
Lá fora o fogo insensato do Boitatá.

São índios e padres, são negros, mulheres, soldados
Que adentram o rancho e mateiam proseando ao meu lado
Guiam-se pela prece aos braços abertos na cruz
Enquanto a vela aquece os sonhos que povoam esse rancho de luz.

Indago a Cristo na parede,
Se pode um mate aumentar a sede
Na chama da vela que se desfigura
Vejo o campo e nele ecos de loucura
Faíscas de adagas, a morte estampada
Tempo das batalhas, de morrer por nada

Murmúrios engasgados em pecado e dor
Clamam ao meu lado a mão do redentor
“Roque” na fogueira, sem o coração
toma minha prece como extrema-unção
O aço de “Latorre” vem pedir perdão
Da fúria da “criolla”, do sangue nas mãos.

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