Jorge Sofrido – Ricardo Bergha


2ª Fronteira da Canção – Etapa Internacional – Concórdia – SC – 2013.
Composição premiada com o Segundo Lugar e Melhor Instrumentista (Kiko Goulart).

JORGE “SOFRIDO”

Letra: Kiko Goulart
Música: Oscar Massita e Kiko Goulart
Recitado: Kiko Goulart
Intérprete: Ricardo Bergha

Jorge “sofrido” foi peão
Na estância da Paz Perdida
Filho do “nego machado”
Neto da escrava “bunita”

Nasceu preto feito a noite sem lua no céu de Abril;
Mesma noite e mesma hora que sua mãezinha partiu
Criado “guaxo” com a peonada, entre a eguada caborteira
E pealando a terneirada, junto à goela da porteira

Jorge “sofrido” foi peão
Na estância da Paz Perdida
Filho do “nego machado”
Neto da escrava “bunita”

Tinha algo de tapera em sua voz
Que quase nunca se ouvia.
– “Sofrido” faça isso”!
– Sim sinhô!
– “Sofrido” faça aquilo!
– Sim sinhô!
E lá se ia o pobre peão,
O filho do “nego machado”,
Que se matou enforcado
Na quincha do galpão.

Nos olhos da “Chica mulata” achou sentido pra vida
Ergueu um rancho no posto do fundo da Paz Perdida
Num dia Jorge casou, noutro “Chica” adoeceu
No terceiro perdeu a fé, no quarto dia morreu!

Filho das dores do mundo
“Sofrido” das apargata
“Manco” da égua “turdia”
Viúvo da “Chica mulata”

“Sofrido” o pobre destino que tanto cruzou na estrada
Ficou arrastando “alpargata” e rengo de uma rodada!
Nunca mais calçou esporas, ficou velho junto à estância
Fazendo “bóia” pra cuscada e remoendo suas ânsias

Filho das dores do mundo
“Sofrido” das apargata
“Manco” da égua “turdia”
Viúvo da “Chica mulata”

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