Tapera – Roberto Borges


14º Acampamento da Canção Nativa – Campo Bom – RS – 2015.
Composição que recebeu os prêmios de Segundo Lugar e Melhor Letra.

TAPERA

Letra: Rafael Machado
Música: Roberto Borges
Intérprete: Roberto Borges

Antigo rancho, morada
Tijolo, barro e capim
Feito por mim e pra mim
Pra ser eterna chegada

Após beber longa estrada
Invernando primaveras
Volto caminhos e esperas
Para olhar-te de frente
E ver que o tempo presente
Te fez meu rancho: tapera

Levando junto consigo
Restos do que aqui deixei
Boa parte do que sei
E adquiri contigo
Foste bem mais que um abrigo
As intérperies da lida
Referência construída
Com alicerces do encanto
Onde plantei sonhos tantos
Pra colher frutos de vida

Quisera ser como tu
Genuinamente barreado
Pra nunca ser arrancado
Do velho solo chiru
Banhado pelo Inhandejú
Caudal eterno que vaga
Conduzindo em suas águas
A pena que não se cansa
De reescrever as lembranças
Que o tempo jamais apaga

Eu sei, morada gaudéria
Mesmo não sendo arquiteto
Que enquanto tu és concreto
De silhueta tão séria
Eu sou apenas matéria
Cumprindo com minha sina
Igual a ti, tenho ruínas
Condenando-me a estrutura
Espelho que em sua moldura
Reflete o que a vida ensina

Por isso ao regressar
Te contemplo longas horas
Sem pressa de ir embora
Com vontade de ficar
Posso nunca mais voltar
Do tempo sei quase nada
Apenas que é uma estrada
Feita de grandes esperas
E que eu também sou tapera
Distante de ti, morada.

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