Madrugadas de Agosto – Leonardo Prates


7º Chamamento da Arte Nativa – Santana da Boa Vista – RS – 1999.

MADRUGADAS DE AGOSTO

Letra: Severino Moreira
Música: João Bosco Ayala Rodriguez
Intérprete: Leonardo Prates

Que geada velha lobuna,
É de renguear a cuscada,
De rachar teto de vaca
E amontoar a porcada.
Criar natas de gelo
No espelho das aguadas.

Encorujar pinto guaxo
Numa lampana de frio,
Fazer o vento sumir
Sem deixar um assobio.
Levantar a bruma branca
Pelos caminhos do rio.

O mato dormir chorando
Alumiando o folharedo;
Pelego branco estendido
Na extensão do varzedo
E o piazito campeiro
Não sente a ponta dos dedos.

Cobrir os pêlos da quincha
E os flecos de picumã,
Manojos de pasto seco
Na sombra dos tarumãs.
Emenda a geada de hoje
Noutra que vem amanhã.

São madrugadas de agosto
Neste pago estremecido;
A fome rondando tropas
No pastiçal ressequido.
Saudades de primaveras,
De sol e campo florido.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: