Na Cruz do Meu Zaino – Nilton Ferreira


17ª Vigília do Canto Gaúcho – Cachoeira do Sul – RS – 2006.
Composição premiada com o Primeiro Lugar e Melhor Poesia.

NA CRUZ DO MEU ZAINO

Letra: Rafael Teixeira Chiappetta
Música: Nilton Ferreira
Intérprete: Nilton Ferreira

Sentou na cruz do meu zaino
Um bem-te-vi campechano
Enforquilhou-se imponente
Como se fosse um paysano

Ficou bombeando coxilhas
Pra onde o bico mirava
Num canto disse seu nome
Enquanto o zaino pastava

Ficou de costas pro sol
Cravando as unhas no pêlo
Trouxe esporas serenas
Com asas por sinuelo

Ali ficou palanqueado
Qual um cacique no jeito
Mirando a pampa estendida
Ruflando as penas do peito

Queria eu ter os olhos
Libertos qual do bem-te-vi
Pra ver de cima do zaino
Aquilo que eu nunca vi

Embora sendo de campo
Com viço de liberdade
Não tenho asas nos olhos
Regalo da divindade

Quando montado à cavalo
Pra fêmea faz um floreio
Pois é campeiro de em pêlo
Sem precisar de arreio

Dá alce para a garganta
Num canto que se revela
Garboso num pacholeio
Mostrando a vincha amarela

Achei que só eu montava
No zaino da minha encilha
Mas vi que outro campeiro
Pois tinha o dom da forquilha

De quebra, é um cantador
Que abre o peito no lombo
E desconhesse esse taura
O preço de levar um tombo

Então, no más, compartilho
O pingo dos meus arreios
Sou eu que grito repontes
E laço boi nos rodeios

Depois das lidas de campo
Largo de lombo lavado
Pra ver na cruz do meu zaino
O bem-te-vi estampado.

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