Tapera – Marcelo Oliveira


32º Reponte da Canção – São Lourenço do Sul – RS – 2016.

TAPERA

Letra: Edilberto Teixeira (in memorian)
Música: Lucio Yanel
Intérprete: Marcelo Oliveira

Estás vendo lá no alto
Aquela ponta de gado?
E, mais perto do alambrado,
Que vai costeando a vertente,
Aquele rancho sem gente,
Sem janela esburacado?

… Que de silêncio ele tem!
Que de tristeza se acampa
Ao seu redor, que se estampa
A piedade num grito…
– Pois, coitado, está solito
Na imensidão deste pampa.

Está triste, tão sozinho,
Parece beijando o chão.
Tem, por sorte, a proteção
Daquela acácia galhuda
Que o resguarda e que o ajuda
A agüentar a solidão.

Quem passa por longe, pensa,
Vendo o rancho teatino,
Na amargura do destino
De quem vive abandonado
Pois, parece que ajoelhado,
Reza aos céus num desatino.

Parece que está chorando
Lá no altar do coxilhão
Na mais devota oração,
Entre lágrimas banhado
Pedindo, a Deus, que o passado
Volte outra vez para o rincão.

Não sei poque penso nisso
Toda vez que o sol vai indo
Lá no cerro se sumindo…
– Meu coração fica triste,
E essa tristeza que assiste
É a morte de um sonho lindo.

E eu digo mais, meu patrício,
Aquele rancho sombrio,
Igual a mim já sorriu…
Mas, com ele, eu choro agora,
Minha ilusão foi-se embora,
Deixou-me só e fugiu.

Meu coração não tem nada
E outro amor não mais espera,
Sem saudade, sem quimera,
Sem amor, sem alegria…
A minha alma está vazia,
O meu peito é uma tapera.

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