Na Consciência de um Borracho – Nilton Ferreira


Querência do Bugio – 13º Aparte – São Francisco de Assis – RS – 2008.

NA CONSCIÊNCIA DE UM BORRACHO

Letra: Valdir Disconzi
Música: Zulmar Benitez
Intérprete: Nilton Ferreira

“Num bolicho – beira estrada – desses que o tempo esqueceu
Um borracho me escolheu pra um desabafo consciente…
Se abancou na minha frente e num tom de confidência
Foi relatando experiência, abrindo a alma e a mente:”

— Sabe, amigo, sou do campo e não gosto de lamento,
Mas é que chega o momento que o próprio orgulho nos cobra.
Eu fui pau pra toda obra nessas granjas e fazendas
E sei que, ao final, a prenda, pra um peão, é tudo o que sobra.

Não reclamo de patrão, mas a sorte é desgranida!
Por bueno que fui na lida, não consegui o que busquei,
Pois tudo que planejei em comprar e dar à china,
Saiba que a plata malina não veio e eu não comprei.

Apesar da estampa rude, me falava manso e lento,
Remoía o pensamento, de vez em quando parava…
Parece que procurava encontrar o melhor jeito
Pra ir tirando do peito toda a dor que carregava.

— Ao longo de um corredor – onde hoje vivo embretado –
Planto ao correr do aramado só pra bóia das crianças.
Não tenho mais esperanças e passei a ter vergonha…
Pois de tudo o que ela sonha, não deixo nada de herança.

Não leve a mal, meu amigo, por nem ter me apresentado,
Pois vinha muito engasgado e falar foi a saída…
Mas só o poder da bebida faz um homem da campanha
Contar pra pessoa estranha esses tormentos da vida.

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