Homens e Tentos – Joca Martins


1º Canto Nativo de Porto Alegre – Porto Alegre – RS – 2004.

HOMENS E TENTOS

Letra: Rodrigo Bauer
Música: Joca Martins
Intérprete: Joca Martins

Amansei as horas, desquinando tentos
quando a chuva forte vinha sem cessar…
O campeiro sabe usar esses momentos
pra fazer trançados e pra meditar…

O que parecia uma manhã bonita
derramava água já de relancina
e a faca pitoca tão desgastadita
retalhava o couro de uma rês brasina.

Vez por outra eu vejo a chuva feito um pranto…
Desce tanta água que a visão transborda!
O ovelheiro dorme no galpão enquanto
das minhas mãos maduras vão surgindo as cordas…

Vou trançando um laço de seis tentos fortes,
e pensando em tudo o que fazer depois;
até dar-me conta dessa estranha sorte
que é a dos laços novos que já foram bois!

O boi que se sangra e sente a dor do aço
prova uma ironia que há nesse ritual…
Ele se renega preso pelo laço
feito com o couro de algum ancestral!

A melena, aos poucos, já me vem grisalha;
tranço os meus recuerdos que não voltam mais…
Se até mesmo um laço rompe ou se ramalha,
que dizer de nós que somos tão iguais!

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