Vaneira da Bossoroca – Leopoldo Rassier


5ª Ramada da Canção Nativa – Encruzilhada do Sul – RS – 1994.*

VANEIRA DA BOSSOROCA

Letra: Jayme Caetano Braun
Melodia: Pedro Guerra
Intérprete: Leopoldo Rassier

Velha vaneira baguala
que estufa os foles da gaita,
riscada de unha de taita,
cheia de furo de bala;
tomando conta da sala,
o mesmo que lagartixa,
e o chinaredo cochicha
quando seu ronco se cala!

Se mistura no balanço
a poeira do chão batido
e os babados do vestido
corcoveiam sem descanso…
e o índio metido a ganso,
grudado à fita vermelha,
fica boqueando na orelha,
num jeitão de sorro manso!

A fumaça do candeeiro
se adelgaça e se esparrama,
perseguindo alguma dama
de sorriso feiticeiro!
E nunca falta um salseiro,
é tradição secular,
e os índios que vem mamar
na garrafa do gaiteiro!

Vaneira que nasceu guaxa
na caixa de uma cordeona,
mamando numa “siá dona”
dessas que escondem a graxa;
andou na Pampa buenacha,
queimada de sol e brasa,
e quando não tinha casa,
dormia dentro da caixa!

Nos comércios de carreira,
nos velórios e carpetas,
sobre a quincha das carretas,
ouvindo truco e primeiras…
Nos bochinchos de fronteira
nunca vai faltar um taita
pra dar um talho na gaita
e deixar livre a vaneira!

O próprio índio que toca
essa vaneira machaça
é um sacerdote da raça
nas bruxarias que invoca,
e os arrepios que provoca,
nesse galope estendido,
nos levam ao chão batido
dos ranchos da Bossoroca!

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