Quando a Chuva Traz Lembranças – Nilton Ferreira e Clênio Bibiano


2ª Manoca do Canto Gaúcho – Santa Cruz do SUl – RS – 2007.
Composição premiada com o Segundo Lugar.

QUANDO A CHUVA TRAZ LEMBRANÇAS

Letra: Rafael Texeira Chiappetta
Música: Ezequiel da Rosa
Intérpretes: Nilton Ferreira e Clenio Bibiano

Tempo velho caborteiro desfolhou a sua armada,
Abriu cancha, noite afora, numa chuva galopeada…
Por de trás do horizonte que se agrandam os canhões,
É a voz do tempo feio ecoando nos fogões.

Lasca fogo pelos ares e o céu se transfigura
Quando um raio corta a noite, dando talhos na planura,
Mais parece um talonaço pelo fio de uma adaga…
Vem se abrindo rachaduras a romper a noite larga!

O que resta pra o campeiro é um mate de lembrança
E botar na cevadura o amargo de suas ânsias.
Um puaço sai do peito pela alma que murmura,
Contemplando labaredas com relatos de amargura.

Se desdobra uma faísca e a noite se prolonga,
Segua a prosa amadrinhada pela chuva que ressonga;
E o mate é encilhado com espinho em vez de flores,
Pois a cuia segue adiante a levar os desamores.

Quando o céu se destramela e o tempo faz alarde,
Não tem poncho que ataque os guascaços da saudade;
De mãos postas para o fogo, uma lágrima se aflora
E o peito caborteiro sente o dente da espora.

E a cuia acomodou-se, recostada no tição…
Só as bancas que ficaram no silente do galpão.
E o tempo ficou manso ao findar a chuvarada,
Pois o fel daquelas horas ficou na erva lavada!

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