Lá Na Fronteira – César Oliveira e Rogério Melo (Califórnia)


31ª Califórnia da Canção Nativa do RS – Uruguaiana – RS – 2002.*
Composição premiada como Melhor Conjunto Vocal e Melhor Instrumentista (Marcello Caminha).

LÁ NA FRONTEIRA

Letra: Anomar Danúbio Vieira
Música: Marcello Caminha
Intérpretes: César Oliveira e Rogério Melo

Lá d’onde o campo enfrena o dia abrindo o peito,
No velho jeito de tirar zebu da grota;
Se ata espora pra um torão de fundamento,
Passando um tento embaixo do taco da bota.

Lá d’onde o touro mais “veiaco” tem costeio,
Um par de arreio é ferramenta de valor;
A vaca xucra esconde a cria na macega
E a cavalhada não nega que por lá hay domador!

Lá d’onde as penas se transformam em melodias
Na campeira sinfonia de “coscoja” e nazarenas;
Almas antigas rondam galpões nas estâncias,
Pois são grandes as distâncias e as saudades tão pequenas.

Lá d’onde ainda ecoa forte um “venha, venha!”…
Chamando a tropa no reponte das auroras;
A bagualada segue atrás da égua madrinha
Na velha estrada da linha, serpenteando tempo afora.

Lá na fronteira, os tajãs, por contingêngia,
Contrabandeiam querência, ora pra um lado ora pra outro!
Se ganha a vida a casco e braço nos varzedos,
Se aprende cedo a “ensiná” a lida pra um potro.

Lá na fronteira, na amplidão das invernadas,
Se termina a campereada quando o sol apaga as brasas.
Então se volta, a trotezito, assoviando,
Pra matear junto da china no jardim defronte ‘as casa’.

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