Bailanta – João de Almeida Neto


5ª Coxilha Nativista – Cruz Alta – RS – 1985.

BAILANTA

Letra: José Ataides Sarturi (Nenito)
Música: Luiz Carlos Borges
Intérprete: João de Almeida Neto

De contraponto co’a gaita velha baguala,
O gaiteiro canta um verso no outro lado da sala.
E eu, cabresteado nos braços d’uma portranca,
Arrodeio pros dois lados, agarrado na percanta.

Boleio um trago, que é pra não desidratar.
Me vou às macegas, pra mode de “tomá um ar”.
Deixo a pinguancha n’algum canto, palanqueada:
Não sou de deixar a carne exposta pra cachorrada.

Dêle vanera, dêle polca e chamamé
Nesta bailanta eu danço tudo o que vier.
Figuro um chote, sem enredar nenhum pé:
Quem não se avança, não dança.
Nem arruma o par que quer…

Balanço o corpo – perco peso – e “dêle” xixo.
Numa valsita floreada, colo o rosto no cambicho.
Que importa o tempo, se uma noite não é nada?
Sapateando e sarandeando “vamo” até de madrugada.

Encurto o tranco e vou pisando de mansinho.
O gaiteiro não parou: “fica só mais um pouquinho”
O fim do baile é mais gostoso que o começo:
“Manda carta”, “te visito”, “te juro que não te esqueço”.

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