Oitava Rima – Leonel Gomez


27ª Sapecada da Canção Nativa – Lages – SC – 2019.

OITAVA RIMA

Letra: Rogério Ávila
Melodia: Leonel Gomez
Intérprete: Leonel Gomez

Tem alma de campo vasto
Torrão de pasto e vertente
Seiva, sangue desta gente,
Que vive a saga da crina
O sol pampeano que ilumina
Queima e requeima em retovo
E trago a tez do meu povo
No bronze da oitava rima!

Na voz do canto que entoa
Qual um sussurro de china
Quando a noite se termina
E uma tropilha entablada
Vai campaneando na estrada
O timbre da oitava rima!

E no clarear de um campestre
Doce flor que se derrama
Mamangava e lechiguana
Camoati e ainda por cima
Mel do beijo de uma prima
Palomita de quimera
Que linda na primavera
É o aroma da oitava rima

No rincão domingo largo
Mate amargo, assado e vinho,
Na distância do caminho
A donde velha doutrina
Que se resume na esgrima
Pra resolver desacato,
Destreza empresta um mulato
Ao tato da oitava rima!

É na Frontera, meu pago,
Que meu cantar é nutrido
E encontra os cinco sentidos
Quando a guitarra se afina
E numa milonga lastima
Mourisca ibérica essência
Trazendo pampa e querência
Pra o sabor da oitava rima.

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