A Linguagem da Invernada – Willian Eguilhor e Juliano Santos


18ª Mostra do Canto Campeiro – Dom Pedrito – RS – 2019.
Composição premiada com o Terceiro Lugar.

A LINGUAGEM DA INVERNADA

Letra: Matheus Costa
Melodia: Milton Fontoura e Alexson Massagão
Intérpretes: Willian Eguilhor e Juliano Santos

A linguagem da invernada que se estende além porteira…
…é campo a fora falada, pelo choro das basteiras.
Pelo tinido do laço, quando força o cinchador
No susto do manotaço, acordando o tirador.

O sopro pelo alambrado que chega e vai-se com pressa…
…é ventito despachado de quando a manhã começa.
Oposto ao velho pampeiro, que assunta cismas passadas…
…pra rondar algum potreiro, assombrando a cavalhada.

Assovia o capataz – tropa gorda no caminho!
E desperta quem, de’atrás, vem sonolento e sozinho
Com outro assovio inteiro – tão longo quanto a idade-
…sorvendo o tempo matreiro por um resto de saudade.

A nazarena que canta, com terrunha melodia…
…tem linguagem na garganta, de genuína sinfonia.
E a gêmea que forma o par, é torta e desafinada…
…porque restou-lhe cantar no final da campereada.

Geme a tranca da porteira, pois anunciou a cruzada;
Diferente da que range quando, por algo, tombada.
Sons da tourada escarvando livres da melancolia…
…de uma tambeira berrando depois de “perder“ a cria.

Por isso tantas linguagens (de bichos, ventos e gente)
Se assemelham nas paragens, muito embora diferentes.
Cada qual com sua razão, nascidas e relatadas…
…ao crioulo coração que existe nas invernadas.

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