João Carreteiro – Marcelo Oliveira


15ª Estância da Canção Gaúcha – São Gabriel – RS – 2007.*

JOÃO CARRETEIRO

Letra: Otávio Severo
Melodia: Cristian Camargo
Intérprete: Marcelo Oliveira

Céu negro em pelagem, na mesma paisagem: dois bois e um destino
Caminhos de prece, que o vento oferece por ser peregrino.
Almeja cruzadas, rogando as estradas, na cruz de uma canga.
De olhares cansados, gêmeos, lado a lado… Guabijú e Pitanga.

A doma primeira pra junta, ponteira, cambão, maneador…
Já mansos, berrando e a picana assoviando no guizo cantor.
Que um João Carreteiro, por ser estradeiro, teve um rumo só…
Pra um dia ser terra, alma grande que ecerra saudades em pó.

Fez, dos corredores, romanças de amores um tempo depois
E João esperança tornou-se lembrança, guiando seus bois.
Na senda estradeira, acende a boieira, clareando pra os seus…
Alçando viagem, firmando paragem mais perto de Deus.

No rancho do passo, antigo regaço, perdido em quimeras…
O tempo se esquece e a vida afloresce entre as primaveras.
Sonhado um rincão, de um João solidão, depois de changueiro,
No ofício foi nobre, além de índio pobre, por ser carreteiro.

E os bois da confiança, judiados de andaça, carregam consigo
No fim da jornada, saudade da estrada, do dono e amigo.
Entregues na mão de algum outro João, pra changa de uns pilas…
Vivendo em potreiro, de pago povoeiro, o pátio de vila.

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