Xucro Ofício – Joca Martins


9ª Reculuta da Canção Crioula – Guaíba – RS – 1992.*

XUCRO OFÍCIO

Letra: Anomar Danúbio Vieira
Música: Zulmar Benitez
Intérprete: Joca Martins

Nem bem clareia, já me encontro chimarreando
Ao pé do fogo que aquenta as madrugadas,
Daqui um pouquito o sol desponta no horizonte…
To desde ontonte com ‘as idéia’ engarrafada.

Pra o parapeito do galpão arrasto ‘as garra’,
Buçal na mão, vou tiflando pra mangueira…
Meio sestrosa me cuidando a matungada,
Vem da invernada e fica flor de caborteira!

Mas que me importa, pois me levantei aluado,
Cano virado das minhas botas garroneiras.
Toda segunda tem bagual de lombo inchado,
Adivinhando que passei de borracheira.

Junto ‘as argola’ do cinchão no osso do peito,
“Percuro” um jeito, busco a volta e me enforquilho.
Depois que “munto” e atiro o caixão pra trás,
Só Deus com um gancho pra me “sacá” do lombilho!

Me dá vontade de “prendê” o buçal na cara
Deste picaço que esqueceu como se forma!
Mas eu garanto que embaixo dos meus arreios
Conhece o freio e aprende a “respeitá as norma”!

Pego-lhe o grito, taxo ‘os ferro’ na paleta!
De boca aberta, o queixo roxo, “vende garra”!
Lida baguala que, em muitos, mete medo…
Meu xucro ofício que, por vício, fiz de farra!

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