A Boa Vista do Peão de Tropa – Marcelo Oliveira


Tafona das Tafonas – Osório – RS – 2009.

A BOA VISTA DO PEÃO DE TROPA

Letra: Mauro Moraes
Música: Mauro Moraes
Intérprete: Marcelo Oliveira

Nos rincões da minha querência, arrabaleira conforme a vontade
Me serve um mate, pampa minha, nesta vidinha que me destes
Antes que embeste a novilhada, prá o mundo alheio das porteiras
Saúdo a poeira destas crinas, que me arrocinam sujeitando

E da garupa do cavalo, faço um regalo à ventania
Que na poesia destas léguas, tomo por rédeas e conselhos
Chamo no freio a coisa braba, o tempo é feio, mas que importa
Quando se engorda na invernada, não falta nada
Pra quem baba de focinho levantado e mais curioso

A fim de ir, a estância do passo, na direção de casa, costeando o arvoredo
O meu desespero porfia co’a tropa, fazendo o que gosta ao sul de mim mesmo
E todo o bem que havia maneado ao destino, divide caminhos com a rês que amadrinha
O rio que eu não via, mimando de sede à minha saudade…

Na função dos meus afazeres, rememorados conforme a manada
Vou ressabiando afeito a fadiga, nas horas mingas de sossego
Talvez melhore durante a sesteada, sou por demais igual a campanha
Tamanha a alma de horizonte, ali defronte aos cinamomos

Já não habita a teimosia, atropelando o meu rodeio
Quando me aguento no forcejo, pra erguer no laço os caídos
Não me lastimo, nem receio, vou pelo meio do sinuelo
Tocando manso os mais ariscos, só pelo vício de por quartos
Cuidar do gado, rondando o baio, que amanuceio.

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