Quando a Alma Volta Pra Terra – Luiz Marenco


14ª Reculuta da Canção Crioula – Guaíiba – RS – 1997.

QUANDO A ALMA VOLTA PRA TERRA

Letra: João Fontoura
Música: Luiz Marenco
Intérprete: Luiz Marenco

Sentei os recaus no lombo de um mouro,
Destapereando silêncios pelas taperas,
Com cantigas de espera, sem nada encontrar,
Para algum dia voltar, ruminando quimeras.

Com os anos passando, o sol foi bronzeando
Minha alma morena e a pampa torena
Dentro de mim, foi lambendo o capim
Com línguas de agosto, moldando em meu rosto
Os rastros que apontam os rumos pra o fim…

Sofreno o passado que vem estafado,
Com sede e com fome;
Pois a terra consome quem anda sem rumo,
Sem erva e sem fumo.

Pra algum dia, depois dessa vida proscrita,
Voltar a terra bendita com todo o vigor que a sina embuçala,
Na estrada do tempo com a esperança na mala pra tapear amarguras,
Jujando ternuras pra quem já perdeu o pago e o nome.

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