O Avesso do Couro – Roberto Luzardo


10ª Vigília do Canto Gaúcho – Cachoeira do Sul – RS – 1990.

O AVESSO DO COURO

Letra: Xirú Antunes
Música: Fernando Mendes
Intérprete: Roberto Luzardo

A mão de quem vira o couro
Reflete no que já fez,
Olhos claros ficam turvos,
Não há mais o que fazer…

Pressente a tropa assustada,
Pintando um triste retrato,
Palanque é testemunha…
Mesclando sangue com pasto.

Logo o desenho de um mapa
Cheio de rubros e brancos,
Aberto em pontas de lança
Pra o vento orear com seu canto.

A fronteira, morte e vida,
Limitada de carnal,
Contraponteia o sentido,
Legado de um ritual.

De restos, tantos pedaços
Povoarão o varal…ac
Nos catres, junto ao braseiro,
Dormirão com água e sal.

Por certo a ausência de um boi
Neste munício comum,
Explique a pampa tão fértil,
Primavereando mais um.

Não há mais o que fazer
Quando o avesso do couro
É um mapa colorado
Na sombra de um cinamomo.

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