Madrugada de Rancho – Marcelo Oliveira e Sandro Rockembach


7º Cante Uma Canção em Vacaria – RS – Vacaria – 2010.

MADRUGADA DE RANCHO

Letra: Gujo Teixeira
Música: Cristian Camargo
Intérpretes: Marcelo Oliveira e Sandro Rockembach

O rancho recém acorda
com bocejos de fumaça,
espreguiçando as janelas
de olhos claros, sem vidraças.
Acendendo sóis em brasas
num cerne de tarumã,
mimando a negra cambona
e sua alma de picumã.

Um velho de calças largas
e sonhos velhos demais,
assopra um vento do peito
nos sabugos e jornais,
Vai buscar água pro mate,
enquanto o fogo clareia
a sombra de um passado
que pelo rancho passeia.

Num poço de alma aberta,
em silêncio distraído,
um balde, puxado à corda,
chora a mágoa, entristecido…
Depois cai no seu abismo
até a água do fundo,
talvez por isso que chore,
por ser pequeno o seu mundo.

Na alta quincha do rancho,
entre arame e santa-fé,
um galo, fino, de lata,
aguenta firme, de pé.
Não canta nem madrugueia,
nem bate asas por conta,
apenas diz onde é norte
pra o lado que o bico aponta.

As laranjeiras floridas
esperam o doce do outono,
pra não serem tão amargas
feito as lembranças do dono,
que o tempo sem ter paciência
ajustou pra morar só,
num rancho com alma e barro,
plantado num cafundó.

Quem olha um rancho de longe
pela estrada de quem passa,
enxerga o galo sem asas
e um branco fio de fumaça,
não chega pra tomar um mate
nem pra matar sua sede
e não sabe que este rancho
tem vida além das paredes.

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