Cada Tempo, Cada Flete – Nilton Ferreira


17ª Seara da Canção Gaúcha – Carazinho – RS – 2011.

CADA TEMPO, CADA FLETE

Letra: Rômulo Chaves
Música: Matheus Alves
Intérprete: Nilton Ferreira

Hoje, o patrão chamou
E me ordenou
Botar na forma os potros.
Fui bem despacito,
A recolher solito,
Um após o outro.

Com toda paciência
Mostrei a ciência
Sem dar atropelo,
Enquanto pensava
No que me mostrava
O tom de cada pêlo.

Um dia fui potrinho,
Qual um doradilho,
Na frente, escarceando…
Lembro, com saudade,
Minha pouca idade
No pátio, brincando.

Jamais eu pensava
Que a vida domava
Um homem feito eu…
Que tropeava o tempo
Sem domar o tempo
Que me envelheceu.

Cada pêlo diz
O que o campo quis
Mostrar para o campeiro.
O jeito da potrada,
Ali na invernada,
Em galope faceiro.

Tem uma lição
Nesta vastidão
De formas refletidas:
O pêlo de um cavalo
Também é regalo
Pra entender a vida.

Veja a potra ruana,
Troteando aragana,
A mostrar bom porte…
Retoça os demais
Que, ainda, são baguais
Num instinto forte.

Tem o potro mouro,
Que é flor de crioulo,
Sangue da fronteira.
Faz lembrar da gente,
Quando adolescente,
A rondar trigueiras.

Depois, já na forma,
Tudo se contorna
Com a potrada quieta.
Todos tão altaneiros
Num jeito matreiro,
Num olhar de alerta.

Escolheu, o patrão,
O tostado pinhão
Pra domar pra o filho.
E, silente, entendi
Como cheguei aqui
Já de pêlo tordilho.

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