Na Boca da Noite – César Oliveira


10ª Vigília do Canto Gaúcho – Cachoeira do Sul – RS – 1999.
Troféu de Melhor Intérprete para o César Oliveira.

NA BOCA DA NOITE

Letra: Rogério Villagran
Música: César Oliveira
Intérprete: César Oliveira

Na boca da noite… costeando a picada,
Meu zaino que é um gato, se pára carancho…
Bombeando distante pras bandas do poente,
Parece que sente o calor de algum rancho.

Eu trago na estampa um jeito teatino,
Porque o destino quis que eu fosse andejo…
E a noite serena chega e me provoca
Campear a chinoca e roubar-lhe um beijo.

Um ventito manso me alvorota o pala,
Então eu me aprumo e tapeio o chapéu!
Enxergo teu corpo no clarão da lua,
E os teus lindos olhos brilhando no céu…

Eu sinto no peito um guasquasso “muy” forte,
E “inté” acho que tenho coração de potro,
Que bate ligeiro quando enxergo a flor…
… Se é meu esse amor, não preciso de outro.

A alma de um taura… que vaga solito,
Se pára mais quebra, rumbeando pro fim.
E as ânsias que tenho, acolherei com a gana
Que vem da “paysana” que espera por mim.

Já não vejo a hora de encontrar minha linda
E dizer o que trago entalado na goela…
A felicidade que tanto preciso,
Achei no sorriso que Deus deu pra ela.

Que lindo seria se um dia eu pudesse
Te erguer na garupa do meu zaino bueno;
Talvez me perdesse no toque dos dedos,
Campeando segredos de um corpo moreno.

Mas numa volteada, te levo comigo
Pro posto do fundo da Estância da Barra,
Pra ser minha dona e cuidar do ranchinho
E d’um pitionzinho que herdará minhas garras…

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