Na Alma da Noite – Roberto Luzardo


16ª Reculuta da Canção Crioula – Guaíba – RS – 2001.

NA ALMA DA NOITE

Letra: Fabrício Marques
Música: Roberto Luzardo
Intérprete: Roberto Luzardo

Se vai a tarde “a la cria”,
Reponta no céu a minguante,
Solito no rancho, me acho
Tocando recuerdos por diante.

Lá num canto um “grilito” chora
A tristeza estampada no catre,
Mina alma se aninha na cuia
E a saudade me ceva um mate.

Pirilampos vêm luzir
As soledades do rancho,
Emoldurando encantos
À alma do payador.

Das brasas – eterno calor –
Qual o corpo da morena,
Nas retinas figuram silhuetas
E matizes da pequena.

Por que será que, na ausência dela,
As minhas noites se fazem tão frias?
Saudade e distância se fundem em versos,
E o peito teima jujar melodias.

Uma guitarra ponteia anseios,
Aquerenciados aqui no posto,
E o vento flauteia coplas,
Prenunciando o gelo do agosto.

Como então enfrentar o inverno
Emponchado de quimeras?
Pois ausentou-se minha flor,
A razão das primaveras.

O mesmo grilo faz costado
Na madrugada mais longa
E solta o verbo, sem delonga,
Amadrinhando este cantador.

Que canta versos de amor,
De carícias e açoites,
Retratando sentimentos
Que habitam a alma da noite.

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