Identidade de Campo – Nilton Ferreira


19ª Vigília do Canto Gaúcho – Cachoeira do Sul – RS – 2008.

IDENTIDADE DE CAMPO

Letra: Anomar Danúbio Vieira
Música: Rogério Melo
Intérprete: Nilton Ferreira

Ergo meu canto e me acho,
“Muy gaucho”, qual Martin Fierro
E em qualquer lombo de cerro
Faço morada e me planto.
Por Rio Grande me garanto,
Sempre que alço as esporas
E largo, assim, campo afora,
Toda a emoção deste canto.

Canto de pampa e estância
Mais novo à cada manhã…
Na goela de algum tajã
Semeia a sina andarilha.
É cheiro de maçanilha
Que brota, chucra, da terra,
Voz de querência que berra
Num parador de coxilha.

No entreveiro de patas
Meu canto é doma e carreira,
É rangido de porteira
No vai e vem das cruzadas…
E a alma da gauchada
Nos gestos da minha gente
Que vive e morre contente,
Só por ser livre mais nada.

Sempre que canto, renasço,
Volto às planuras, de novo,
Buscando origens de um povo
Que fez pátria de a cavalo
E que deixou, de regalo,
Pra nós, herdeiros da história,
Um torrão pleno de glória
E a identidade ao cantá-lo.

Canto de tropa estendida,
Seiva de grama pisada
Pelos cascos da potrada
Que, no varzedo, retoça.
Fruta que, aos poucos, se adoça
À cada noite de geada.
É chuva forte guasqueada
Que, nas estradas, faz poça.

Canto as coisas do meu povo,
Suas crenças, tradições,
Campos, mangueiras, galpões,
Gineteadas e bochinchos,
Berros de touro, relinchos,
Orquestrando as invernadas…
Marcas de laço queimadas
Num tirador de capincho.

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