E a Saudade Vai de Tiro – Juliano Moreno e Vitor Amorim


5ª Nevada da Canção Nativa – São Joaquim – SC – 2010.

E A SAUDADE VAI DE TIRO

Letra: José D. Teixeira e Gujo Teixeira
Música: Juliano Moreno e Vitor Amorim
Intérpretes: Juliano Moreno e Vitor Amorim

Largo, ao tranco das esporas cantadeiras,
bem de pingo, ainda noite, levo o gado.
Tropa larga pra uma estância de fronteira
e a saudade vai de tiro no costado.

Num rosilho vou na estrada, faz dois dias…
Levo a noite e as estrelas nos pelegos,
vai a lua, debruçada, junto ao basto,
e a boieira que me diz que logo chego.

De manhã o sol clareia sem os galos
e o meu cusco, mais que amigo, é um campeiro,
volta e meia empurra a tropa na culatra,
mas se perde quando vai junto ao ponteiro.

Cruzo um mato e sinto o aroma das pitangas,
lembro os olhos e o perfume da minha linda,
que me adoça o caminho dessa estrada,
mas me aponta que tem mais estrada, ainda!

Pelo tempo, que tranqueia junto ao gado,
cuido as horas, pelo sol que ainda me guia…
Quando a sombra some embaixo do cavalo,
acho um passo, pra fazer um “meio-dia”.

No caminho fui deixando poeira e barro
e me vi abrindo a última porteira.
Foi a tropa mais ligeira do que a tarde,
fiquei eu e minha saudade companheira.

Tropa entregue, recomponho arreio e sonho,
dou de rédea, pego “as plata” e nem confiro,
volto “às casas”, rumo aos olhos da minha linda,
mudo o pingo e a saudade vai de tiro.

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