Na Mesma Cancela – Lú Schiavo


8º Canto de Luz – Ijuí – RS – 2019.

NA MESMA CANCELA

Letra: Juliano Santos
Melodia: Carlos Machado e Everton Rossetti
Intérprete: Lú Schiavo

No rosto do moço correram as lágrimas
Sangraram os olhos na triste manhã
Um sopro de vida, de alma tão bela
Abriu a cancela pra alma pagã

No rosto do moço, um triste retrato
O peito repleto de mágoas e dor
Na sina aragana de ser solitário
Num triste calvário esquecido do amor

O verso que faço, sem rima alguma
Se o dia amanhece, envolto em plumas
É um verso que triste relembra o passado
No peito contido, um choro calado

Chegou o inverno, bem antes da hora
Morreram as flores que um dia plantei
Na falta das chuvas, secou a vertente
Que por muito tempo, de perto cuidei

Quem sabe algum dia eu veja de novo
No solo fecundo que um dia semeei
Um jardim florido de rosas tão belas
Na mesma cancela que um dia fechei

Milonga do Irmão Ausente – Jean Kirchoff


8º Canto de Luz – Ijuí – RS – 2019.

MILONGA DO IRMÃO AUSENTE

Letra: Rômulo Chaves
Melodia: Robledo Martins
Intérprete: Jean Kirchoff

Por onde andas mano velho, que não te vejo presente
Ficou um verso em silêncio, sentindo falta da gente…
A guitarra é um apelo a cantar de Saudades,
E a milonga, um bordão sonando de amizade

Eu, aqui, sigo em paz, com muita calma e confiança
Que uma hora ou outra, vais me encontrar na distância
O rancho ainda é aquele em que a milonga nascia
E o mate aquenta as ideias, prenunciando poesia…

POR ONDE ANDAS MANO VELHO NA PLENITUDE DAS HORAS?!
QUE A SOLIDÃO É MAIOR DESDE QUE FOSTE EMBORA…
A VASTIDÃO QUE CONSOME É UM VAZIO TÃO SILENTE
E O VENTO SILVA, NAS COPLAS, MILONGA DO IRMÃO AUSENTE…

Por onde andas mano velho, quisera notícias tuas
Que tenho gasto a lembrança por estas noites sem lua
A vida é breve, eu sei, mas parece mais longa
Quando se ausenta o parceiro pra dar voz às milongas

Vou seguindo daqui, como sei que querias
Cortando o tempo em astilha, fio da adaga mais fria
Quando em vez, bem parece que te vejo voltar
Mas, é vontade presente, com ausência no olhar!

Faca Afiada – Ângelo Franco


8º Canto de Luz – Ijuí – RS – 2019.

FACA AFIADA

Letra: Gujo Teixeira
Melodia: Zé Renato Daudt
Intérprete: Ângelo Franco

Estamos sempre de olhar atento
Somos da terra, somos verdade
A mesma mão que segura a flor
Firma uma faca, por liberdade!

Temos Querência na nossa voz
Mesmo calada canta o que sabe!
De alma leve, pilcha de luxo
Não visto um sonho que não me cabe!

Faca afiada, corta na carne!
Depois descansa pela bainha…
Toda palavra que é dos outros
Se for verdade, também é minha…

Faca afiada, com fio de pedra
Sabe da mão que lhe empunha o cabo.
Embora a prata durma em seu corpo
Não perde o tino de espinho brabo!

Somos do bem, de mates e prosas
Das tradições do nosso lugar.
Mas quando a noite me cega a vista
sangue nos olhos, se precisar…

Vou defendendo meu pensamento
Genuíno e simples me reconheço.
Sei que tem coisas que têm valor
E outras, que apenas botaram preço!

Das Coisas Que Eu Tenho – Nando Soares


8º Canto de Luz – Ijuí – RS – 2019.

DAS COISAS QUE EU TENHO

Letra: Celso Metzdorf
Melodia: Léo Soares
Intérprete: Nando Soares

Das coisas todas que tenho
Todas tem grande valor
Um simples vaso de flor
Pelo trato que empenho
Num papel velho um desenho
Dos piás ainda pequenos
Com olhares tão serenos…
Carregados de amor!

Das tantas coisas que tenho
Muitas lições aprendi
As outras eu construí
Usando os ensinamentos
E todos os fundamentos
Que meus velhos ensinaram
Suas jornadas empenharam
Desde o dia em que nasci

Das coisas todas que eu tenho
Nada é mais importante
É o que me faz ir adiante
Além do berço que eu venho
É o grande amor que mantenho
No aconchego da família
E a missão que nos encilha
É cuidar deste diamante

O berço, a origem da vida
Se faz razão pra viver
Parece até que infinda
Ao ver um filho nascer
Como se a alma falasse
É o laço forte e imponente
O ser se agranda e renasce
É vida na vida da gente

Colores da Vida – Rogério Knorst


8º Canto de Luz – Ijuí – RS – 2019.

COLORES DA VIDA

Letra: Rogério Knorst
Melodia: Rogério Knorst
Intérprete: Rogério Knorst

Ainda “ ontonte ” era um menino…
Na ingênua ânsia de ser mocidade.
Passou-se o tempo, feito ventania,
Da terna infância restou saudade.

Pouco me importam as rugas no rosto,
As cicatrizes que dizem de dor…
Pois no que tenho por dignidade
Guardo tesouros que me são amor.

O pão na mesa, a minha casa, minha família, o meu jardim…
Rezo o pai-nosso e ave-marias… graças a vida e o que sonhei pra mim.

Quando um pintor encara a tela branca
A inspiração é luz e referência…
Com seu pincel e a magia das cores
Transcende a arte em sua plena essência.

A cada um cabe o color da vida,
Quem tem fé e anda de mãos com Deus…
Faz dos exemplos quadro emoldurado
Sendo um retrato para os filhos seus.

Mas quando às vezes sou mal comparado
Quando um cacoete de mim se revela,
Talvez a culpa é por morar comigo
Um coração um tanto tagarela!

Mas quando a bruxa da dona tristeza
Arma arapucas pra fazer maldades,
Ele faz bailes no salão do peito
E eu danço valsas com a felicidade!

A Terra dos Homens – Raúl Quiroga


8º Canto de Luz – Ijuí – RS – 2019.

A TERRA DOS HOMENS

Letra: Vaine Darde
Melodia: Raúl Quiroga
Intérprete: Raúl Quiroga

A terra fez-se plana, plena e fértil,
metáfora rural de seio e ventre…
Na gestação divina da semente,
na vocação materna que reflete.

O pão que a fome implora a mesa alcança
sem nada reclamar pelo que gera.
Ninguém pode aramar a primavera
nem pode apoderar-se da esperança…

Deus nunca passou posse a ser nenhum
fazendo desta terra um bem comum,
manha universal pra o mal da fome.

Por mais que alguém possua terra própria,
qualquer que seja a posse faz-se imprópria
se não for pra servir todos os homens…

Irmão – Arison Martins, Emerson Martins, Diogo Matos e Paola Matos


8º Canto de Luz – Ijuí – RS – 2019.
Composição premiada pelo Melhor Arranjo Vocal.

IRMÃO

Letra: Túlio Souza
Melodia: Arison Martins
Intérpretes: Arison Martins, Emerson Martins, Diogo Matos e Paola Matos

São raros aqueles que podemos de fato
Chamar de amigo, chamar de irmão,
Aqueles que entendem as nossas verdades
Abrindo as porteiras do seu coração.

Escutam os olhos, partilham silêncio,
Alcançam os mates e os sentimentos,
E até quando longe estão sempre perto
Cortando caminhos em bom pensamento.

Aqueles que temos orgulho em dizer
Que vivem com honra, orgulho e respeito,
Que cuidam dos seus bem mais que a si mesmo
E a cruz da humildade carregam no peito.

Nos mostram que a força que tem nos seus braços
Nunca refuga trabalho e suor,
Nos mostram que a luz que carregam na alma
Clareia o caminho com paz e amor.

São buenos aqueles que podemos de fato
Chamar de amigo, chamar de irmão.
Talvez de outra vida tenhamos trazido
Tanto carinho e tanta união.

São puros aqueles que podemos de fato
Sentir que amamos além da razão,
Por isso ao Pai do Céu eu sou grato
Por ser teu amigo, por ser teu irmão!

Milonga Caborteira – Raineri Spohr


8º Canto de Luz – Ijuí – RS – 2019.
Prêmio de Melhor Instrumentista (Cello – Celau Moreira).

MILONGA CABORTEIRA

Letra: Mauro Marques
Melodia: Mauro Marques
Intérprete: Raineri Spohr

O que o passado me traz,
além das lembrança tuas?
Quem sabe é a paixão que me faz
buscar esta dor… nua e crua!

É o mate que esfria ao meu lado;
é o tempo que busca a lonjura;
É o perdão que esquece o pecado
e que é lembrado em meio à loucura.

O pinho me invade os avessos
e consola esta dor do depois.
São monções que cobram seu preço…
São canções que ainda lembram nós dois.

Quem sabe a ilusão, aos pedaços,
se encontre e se torne verdade…
E, então, esses nossos fracassos
floresçam na minha saudade.

Ah, milonga… Escarceia no meu peito!
Ah, milonga… Ah, milonga caborteira!
Ah, milonga… Que saudade desse teu jeito!
Ah, milonga… Ah, milonga Caborteira!

Serafina Lavadeira – Iberê Martins, Cláudia Guedes e Delci Taborda


8º Canto de Luz – Ijuí – RS – 2019.
Composição premiada como Música Mais Popular.

SERAFINA LAVADEIRA

Letra: Silvio Genro, Alessandro Camargo, Iberê Martins e Carlos Gimenez
Melodia: Iberê Martins, Delci Taborda e Márcio Corrêa
Intérpretes: Iberê Martins, Cláudia Guedes e Delci Taborda

Ilailá iê lê leie iá…
Ilaia iê lê leie iá…
Vai Serafina Lavadeira com a “troxa pá lavá” (Bis)

Quando se vai a morena pra beira do rio
Cantarolando “facera” num doce laiááá
Com o sorriso embalando o seu balancê
Em cada peça que lava carrega um sonhar

O dia já sabe a hora que amorena vem
O sol descortina as nuvens querendo espiar,
O quero-quero do campo te conhece bem
O rio se enfeita em remanso, parece “espera”… O teu Laiááá…

Ila ila iê…ilê ilê iá…
Ila ila iê…ilê ilê iá
Vai Serafina Lavadeira com a “troxa pá lavá”

Vai mulata caprichosa lavadeira
Levando a “troxa” com a “ropa pá lavá”…
Vai mulata no requebro das “cadera”
E bate-bate nesta pedra até “limpa’… (bis)

Balança o vestido de chita na sombra morena
Cardumes de Luzes enfeitam bolhas de sabão,
Os lambaris fazem festa no alegre cantar
Romances são “troxas” de amores em seu coração

O assovio da morena tem doce ilusão
E o perfume do rio encanta o pescador
Vai o silêncio das “agua” levando os segredos
E as correntezas da vida que falam de amor…De amor…

Ila ila iê…ilê ilê iá…
Ila ila iê…ilê ilê iá
Vai Serafina Lavadeira com a “troxa pá lavá”

A Marca Forte de Um Rio Grande de Valor – Cezar Gomez e Jorge Freitas


8º Canto de Luz – Ijuí – RS – 2019.
Composição premiada com o Terceiro Lugar, prêmio de melhor Obra Sobre o Orgulho Gaúcho e Melhor Indumentária (Jorge Freitas).

A MARCA FORTE DE UM RIO GRANDE DE VALOR

Letra: Cezar Gomez
Melodia: Cezar Gomez
Recitado: Ângelo Franco
Intérpretes: Cezar Gomez e Jorge Freitas

Eu entendi a dimensão de um universo,
Em cada mate, a cada dia que amanhece.
Eu aprendi, pelas mãos do pensamento…
Que o tempo passa, e nossa essência permanece.

Mapeei todo o caminho das tropeadas,
Das carreteadas, do ajojo e do canzil.
E me orgulhei porque juntamos com um lenço,
Um povo bueno, pelo Sul desse Brasil.

Daí então foram migrando as etnias,
Pra cada canto, povoando esse rincão!
Mas o gaúcho abre o peito e se declara,
Unificando em sua voz a tradição.

Em cada verso, um “bah” campeiro se governa
E um “tchê” gaúcho firma a perna, sim senhor!
São fios de adaga cinzelando nas palavras,
A marca forte de um Rio Grande de valor!

Desde as primeiras tropeadas, até os tempos modernos,
Desde o galpão mais terno, da capital às pradarias,
O “bah” e o “tchê” são as gírias, na prosa mais espontânea
Contemplando a miscelânea, entre o antigo e o eterno.

São do gaúcho, resplandecentes, sagradas.
São dessa indiada, feito um sino ao campanário.
São entoadas conforme manda o sentido.
São nosso hino, que não cabe em dicionário!