De Campeiro e Domador – Eri Cortes


1º Teiniaguá da Canção Nativa – Quaraí – RS – 2000.

DE CAMPEIRO E DOMADOR

Letra: Paulo Costa
Música: Eri Cortes e Marcos Reis
Intérprete: Eri Cortes

O sol traz vida pro rancho de quem mateia
E a lua cheia se foi com o cantar dos galos.
O dia acorda, fumaceando o banhadal,
E o serenal lustra os cascos dos cavalos.

Um vento frio faz cantiga nas coxilhas
E uma tropilha, gavionando, marca o pasto.
Trago o Rio Grande na rosesta das esporas
E campo afora, enforquilhado num basto.

Esta é a sina que Deus deu pra minha vida,
Na xucra lida de campeiro e domador.
Eu sou gaúcho, tenho orgulho deste sangue,
Do meu Rio Grande, a minha pátria, sim senhor!

Fiz meu destino nesta sina de campeiro
E de parceiro a solidão das estradas.
Pelas estâncias, domando potros alheios,
Batendo arreio no lombo da bagualada.

Talvez um dia quando o patrão me chamar
Pra camperear lá na estância do Senhor.
Alguma estrela gaviona e mal domada
Dará pousada pras garras de um domador.

Canta Aquela – Juliano Moreno


3º ExpoCanto – Arroio Grande – RS – 2011.

CANTA AQUELA

Letra: Fabrício Marques e Fábio Maciel
Melodia: Juliano Moreno
Intérprete: Juliano Moreno

Canta aquela, meu canário… Canta Aquela!

Que hoje vou bailar com ela
Pois não vim aqui alpedo
Voltei ao povo mais cedo
Pra contar-la em serenata
Mas hay baile, to com plata
E o vinho golpeou o medo…
Ao sussurrar meus segredos
Esse romance desata!

Canta aquela, meu canário… Canta aquela!

Pois quem sabe, não apela
E a linda guaina se topa
Tu canta, eu saio da copa
Venho co’a alma povoada
E trouxe a flor colorada
Pra ofertar comovido
Sencillo “mimo” benzido
Numa outra madrugada…

Canta aquela, meu canário… Canta aquela!

Para encantar a donzela
Te peço esse regalo
Tu canta, eu meto o cavalo
Com toda calma e perícia
Trago um tanto de carícia
Para entregar com respeito
Ao recostá-la em meu peito
Com ternura e sem malícia!

Canta aquela, meu canário… Canta aquela!

Firmo meu olhar no dela
E me desmancho num verso:
“Já chega de andar disperso
Sonhando com teu calor
Quiero ser tu pica flor
No jardim do coração
E perdoe a pretensão
Se não sou merecedor”

Canta aquela, meu canário… Canta aquela!

Enquanto murmura ela
Acanhada, segredando:
“- Prometo, fico esperando
O teu retorno e assim
Tão pura quanto um jasmim
Responderei comovida
Serei só tua na vida
Mas canta aquela pra mim!”

Bendito – Marco Aurélio Vasconcellos e Os Posteiros


7ª Califórnia da Canção Nativa do RS – Uruguaiana – RS – 1977.*

BENDITO

Letra: Kenelmo A. Alves
Música: Marco Aurélio Vasconcellos
Intérpretes: Marco Aurélio Vasconcellos e Os Posteiros

Perdido na imensa planura
entre o verde e o azul infinito…
suas mãos de capim santa fé
parecem até que estão implorando,
pedindo, rezando, falando com Deus…

Por isso lhe chamam bendito
– humilde ranchito de palha e de fé –

Ranchito, que foi templo, lar, trincheira…
de quem, aqui, andou, pela vez primeira
e o batizou de rancho bendito…
– humilde ranchito de palha e de fé –

Ele viu as estradas se abrindo
e por elas o progresso passar…
e fiel a promessa de abrigo,
ao último taura insistiu em ficar.

Por isso lhe chamam bendito
– humilde ranchito de palha e de fé –

Ele viu as estradas se abrindo
e por elas vida nova a passar…
e fiel a promessa de abrigo,
ao último taura insistiu em ficar.

Por isso lhe chamam bendito
– humilde ranchito de palha e de fé –

A Quem Tirar o Chapéu – Ita Cunha


2º Festival Nativista Canto de Luz – Ijuí – RS – 2013.

A QUEM TIRAR O CHAPÉU

Letra: Volmir Coelho e Othelo Caiaffo
Melodia: Volmir Coelho e Othelo Caiaffo
Intérprete: Ita Cunha

Existe um “cuento” de assombro faz tempo
De um vulto a cavalo que vem pra matear
Chapéu entre as mãos, e poncho no ombro
Se achega e se apeia, sem nada falar…

Estória de ronda me contou um tropeiro
Que foi um ponteiro de uma tropa que vinha
O tempo se armou e ponchos se abriram
Mas só este homem não desemalou…

Raios se cruzavam, qual “planchaços” de adaga
A tarde encharcada branqueou o corredor
Mas só este homem, por uma palavra
Talvez duvidando de nosso senhor…

– Bota pra baixo pai velho – gritava!!!
Com seu aba larga preso entre as mãos
Tem poder a palavra, um a menos na tropa…
…uma égua “planchada” e um corpo no chão!

Estórias de ronda em noites tropeiras
Quando se da asas ao pé do fogão
Em sinal de respeito, quando a Deus se clama
O mais taura dos homens vai de chapéu na mão

Vozes das Invernadas – Marcio Nunes Corrêa e Fabiano Bacchieri


16ª Reculuta da Canção Crioula – Guaíba – RS – 2001.*

VOZES DAS INVERNADAS

Letra: Marcio Nunes Corrêa
Música: Fabiano Bacchieri
Recitado: Fabrício Vasconcellos
Interprtação: Marcio Nunes Corrêa e Fabiano Bacchieri

Vem do posto da pitangueira dois campeiros de à cavalo….
Um num mouro tapado da cabeça encarneirada
numa marcha troteada de parar água no toso.
O outro é uma curunilha num baio ovo-de pato
tal um retrato do pago sobre a moldura do estribo!…

O vento faz redemoinho de franjas nas cabeçadas
pelas orelhas trocadas vai a tenência dos pingos.
A cachorrada ovelheira campeia a volta do gado
que estende encordoado, tranqueando manso e se indo…

Quando um touro fumaço ganhando o campo do fundo
entoa um berro pra o mundo, que é o seu canto de guerreiro,
com ponteios naturais e acordes de picardia
que tem poesia e retovo por simples e verdadeiro.

Gritos de: pega cachorro, quando nos toca a bolada
é o hino destas canhadas, é um verso do pastoreio,
que não ficará esquecido na goela de um sulino
enquanto existir malino refugador de rodeio.

Um contracanto imediato dos ovelheiros acoando
como que reclamando da cria que sai do ninho,
– Sonoridade rural parida num descampado
pra aconselhar touro alçado cantando junto ao focinho.

São vozes nas invernadas, cachorro, touro e campeiros
mas são os pingos parceiros, que mostram alma e essência,
pondo inquietude no andar, pedindo freio, escarçeando
como quem canta sonhando numa ronda da querência!…